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"Não há nada que não se consiga com força de vontade, com bondade e,sobretudo, com amor". M. Cicero

21 fevereiro, 2012

Luzes, sombras e existencialismo.

Ultimamente parece que não há amiga que resista aos encantos de ser a protagonista da sua crise existencial particular.
Não se trata de uma escolha deliberada, consciente ou voluntariosa. Pouco a pouco, e depois de conquistas várias a diferentes níveis, quando parece que encontraram a "estabilidade" - essa noção com a qual mantemos uma espécie de relação amor/ódio: se não tenho, preciso; se tenho, aborreço-me- não encontraram a paz, a harmonia ou o equilibrio desejado.
São excelentes profissionais, mães, filhas, irmãs e amigas que, em termos gerais, são felizes com as opções que as conduziram ao lugar onde se encontram, mas que não deixam de pensar e sentir que parece que há qualquer coisa que não encaixa, que não faz sentido, e então começam as dúvidas, as incertezas e a procura de respostas nos sítios mais estranhos.
Este fim-de-semana uma dessas amigas - que tem uma veia poético-artística muito marcada - dizia que sabia que a vida era feita de luzes e de sombras e que é impossível que esteja tudo "bem", de forma constante e permanente; mas a certeza dessa incerteza não a confortava nem apaziguava, nem respondia às dúvidas que a perseguem e à insatisfação generalizada que por vezes invade as suas certezas e abana os alicerces da sua existência. Esta amiga tem a "sorte" ou a "vantagem" de contar com uma fé inabalável que a ajuda nas suas reflexões e interrogações, mas mesmo assim dizia sentir-se perdida, desorientada.
Ou a crise dos 40 se instalou antes de tempo, ou somos caprichosos que queremos sempre o que não temos, ou somos insatisfeitos por natureza ou, o que me parece mais provável, somos protagonistas de um fenómeno conjuntural que afecta a todos os que vivemos neste período de crise e transformação.
Também estou a viver a minha própria crise e ando à procura de respostas, em sitios mais ou menos estranhos:) Já encontrei algumas, mas tenho a sensação de que outras vão demorar algum tempo a chegar; talvez nem sequer encontre todas aquelas que ando à procura...
Mas é bom saber que não estou sozinha e que nos vamos cruzar pelo caminho muitas e muitas vezes.
M.

2 comentários:

Ana Valente disse...

Não que eu me identifique muito com esta reflexão... mas parece-me que o ponto reside em saber o que se deve aceitar tal como é, e o que se poderá mudar para melhor com essa busca de respostas. Sim, estranhas hipóteses colocamos por vezes... mas ha sempre uma qualquer aprendizagem que se retira... e quem sabe um dia, uma dessas opções não será a resposta que procuramos. Nesse momento pelo menos...

Marta Anico disse...

Claro que sim, que aprendemos com todas as nossas escolhas e o processo de procura de respostas é em si mesmo uma aprendizagem, ainda que por vezes só se possa "ler" em toda a sua plenitude mais adiante, com outros olhos mais distanciados. Mas a questao que discutíamos no fds nao era a aceitaçao ou as estranhas hipóteses que por vezes se colocam. Discutíamos a possiblidade de enveredar por caminhos alternativos, das consequências de certas escolhas, e da forma que cada um tem de encontrar o equilibrio que procura, seja com uma mudança profissional, com um maior investimento no conhecimento pessoal ou simplesmente com uma purga social e material...