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"Não há nada que não se consiga com força de vontade, com bondade e,sobretudo, com amor". M. Cicero

25 março, 2012

O "grito" e a pacificação.

Depois de mais uma incursão introspectiva realizada durante uma semana algo agitada, descobri novos dados sobre moi que francamente não estava à espera.
Minhas amigas, quando começamos a investigar o nosso interior, é bem provável que seja como uma fonte inesgotável. Mesmo quando parece que já só há um fiozinho de água, de repente, somos inundados por uma corrente de origem desconhecida que não quer parar de brotar. Foi mais ou menos isso que aconteceu.
Descobri que há um "grito" que me acompanha onde quer que vá, de ira, de zanga e de revolta, que aos poucos está a sair cá para fora. Descobri que, naturalmente, a origem deste conflito sou eu própria, por não ter sabido lidar com certas situações, na sempre eterna tentativa de agradar aos outros e numa lógica sem sentido de "prefiro estar zangada com o mundo a que o mundo esteja zangado comigo".
Também descobri que mesmo quando achava que estava a fazer o que me dava na real gana, contrariando o que se "esperava que fizesse", no fundo eram desviações irrisórias, superficiais, porque no fundo continuava à procura da aceitação das pessoas mais importantes para mim. E que mesmo essa ambivalência me causa(va) um enorme conflito: "isto é o que eu quero, mas... se for por esse caminho então não estarei à altura do que se espera que seja". Uma paranóia que só existe na minha mente.
E o que me dizem quando esse conflito entre seguir o meu instinto e seguir o que é "suposto" se complica, e os "outros" começam a ter dúvidas reais sobre qual é o meu caminho"??? A resposta é: instala-se o caos... Conflito + confusão = caos.
E logo a seguir surgem as tentativas de recuperar o controle. O conhecido é seguro e não constitui uma ameaça. Mas ir por caminhos desconhecidos é tão mais interessante!!! E às vezes, o que pensamos que é medo, não é medo, nem pavor, é só mesmo excitação!!!
Confio que a paz interior chegará algum dia. Quando verdadeiramente interiorize que não é possível controlar o meu mundo, que o que os outros pensam e desejam para mim não coincide necessariamente com os meus desejos e necessidades, e que sou eu quem tem que tomar as rédeas da minha vida, sem culpas, sem desculpas, sem medos.
A pacificação vai chegar. E nesse dia vou estar aberta a todos os que queiram entrar, confiante, receptiva, sem muros e sem defesas. A melhor imagem que se me ocorre é a de um grande e profundo abraço. Para os que o quiserem receber e partilhar.
M.

7 comentários:

Anónimo disse...

Como eu te percebo, amiga... como eu te percebo!!!
SR

Ana Valente disse...

O teu sentido de oportunidade Marta... corresponde totalmente ao que espero de ti... e agora???

Duvidas sobre o caminho a seguir acho que todos as temos em determinadas circunstancias. O meu problema é mesmo a permanencia das decisões... e a dicotomia entre a coerencia e o proceso de aprender, desaprender e reaprender...

Marta Anico disse...

Minha querida S.,
Fico tão feliz por saber que me compreendes e que não estou sozinha neste caminho de dúvidas e incertezas. As tuas palavras vieram direitinhas ao meu coração:) E aprender é mais fácil e enriquecedor quando é feito na companhia de quem nos quer bem e nos ajuda a ver o que nem sempre conseguimos ver por nós própios. Por isso mesmo decidi criar este cantinho, para que seja um espaço para nos encontrarmos e conversarmos sobre temas que às vezes guardamos em segredo mas que afinal é partilhado por muitas de nós. Beijo.

Marta Anico disse...

Carina, pensei que já sabias que não há nada permanente:))

E quanto à coerência, talvez te ajude a pensar nesse conceito tendo por referência as emoções e as circunstâncias de cada momento, porque a longo prazo é impossível!!

Todos mudamos, e ainda bem que assim é. Quer dizer que crescemos, o que ontem era coerente, amanhã se calhar já não é tanto.

O meu problema é que, mesmo com bússola, gps ou qualquer outro auxiliar de navegação, ainda não descobri por onde tenho que ir. Se calhar um curso de orientação não vinha nada mal...

Vais ver que nos vamos cruzar pelo caminho:)

Kiss kiss

Anónimo disse...

Boa tarde!

Em primeiro lugar peço desculpa por invadir este espaço. Mas através de um blog que leio assiduamente vim dar até aqui. Bem, o seu nome também me chamou à atenção. Eu penso que foi minha professora de Antropologia no ISCSP em 2006/2007. E, também quero dizer que gostei muito do que li aqui. Identifiquei-me com o que escreveu.
Peço desculpa por ter deixado esta mensagem, mas foi uma agradável surpresa o que li.

Beijinhos.

Anónimo disse...

Esqueci-me de identificar: o meu nome é Vanessa.

Marta Anico disse...

Vanessa, o blog é um espaço aberto pelo que não tem que pedir desculpa pela "invasão". Todos os comentários são bem vindos e fico feliz por saber que há quem se identifique e goste de ler estas reflexões.
M.