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"Não há nada que não se consiga com força de vontade, com bondade e,sobretudo, com amor". M. Cicero

31 dezembro, 2012

Feliz 2013

Quando o ano chega ao fim é sempre momento de fazer um balanço e definir de novos propósitos para o novo ano que se aproxima a passos largos.

O balanço é positivo, sem dúvida. 2012 foi um ano de transição, de transformação, de "arrumar" assuntos pendentes e, espero, de criar as condições necessárias para iniciar um novo ciclo, livre de preconceitos e com disponibilidade para abraçar o que o destino nos trouxer.

Houve momentos duros e difíceis, daqueles que nos fazem crescer e seguir em frente reforçados, mas que deixam marcas invisíveis. Marcas que estão aí para que, de vez em quando, nos alertem para o facto de que caminhamos pela vida sobre uma corda sem rede, tentando manter o equilibrio da melhor forma possível, uma forma diferente para cada um de nós.

Houve momentos felizes. Muito felizes. E houve momentos em que descobri que a felicidade, a serenidade e o equilibrio necessário para caminhar por essa corda sem rede se consegue tecendo uma rede de afectos, também ela invisível mas profundamente sentida e presente.

Acho que esse é o reconhecimento maior ao ano que hoje despedimos. Saber e sentir que há um grupo de pessoas com quem posso contar sempre, incondicionalmente, que estão presentes em todos os momentos, nos felizes mas também nos mais duros. Pessoas que com uma palavra ou um silêncio me aquecem o coração, me tranquilizam e me dão a força que às vezes parece querer fugir.

Propósito para 2013? Para além de desejar saúde e muita paz para todos, desejo ser capaz de retribuir tudo o que recebi em 2012 e manter esse calorzinho de afecto ao longo de todo o ano.

Feliz 2013!!!

M.








21 dezembro, 2012

Feliz Natal.

Aproxima-se o Natal e aumentam as reportagens sobre a forma como as famílias adaptam presentes e menús devido à famosa "crise".

Para ser sincera estou farta de ouvir esta palavra, de observar como serve de desculpa para tudo, como esse conceito abstracto se usa e abusa para sacudir a responsabilidade individual de cada um de nós, como se não fôssemos responsáveis pelas nossas escolhas, acções e prioridades. Obviamente que não estou aqui a falar das situações dramáticas que vivem milhares de famílias, Deus queira que nunca tenha que viver essa tragédia.

Mas desde quando é que o Natal se transformou nesta avalanche de consumo disparatado, quase obsceno, em que parece que o mundo se acaba se não houver gambas e sapateira na mesa, ou que se as crianças não receberem uma quantidade tal de presentes - que já só se ocupam de abrir embrulhos e atirá-los pelo ar, sem parar realmente a ver o conteúdo que escondem dentro - então a família não está à altura do que se espera nesta quadra??

Claro que todos nós gostamos de receber um miminho especial de vez em quando, de nos oferecermos um capricho a nós próprios, mas transformar esse desejo saudável numa necessidade que quando não é satisfeita produz frustração e ansiedade, então meus amigos, há qualquer coisa de muito errado neste cenário.

Qual é o problema de comer frango com arroz e salada na ceia de natal? E que tal oferecer presentes elaborados por e para a familia? E ensinar às crianças que receber UM presente é um enorme privilégio, e não um drama de proporções épicas?

Acredito no consumo responsável e numa educação baseada em princípios e valores. Sei que a felicidade não é proporcional ao número de briquedos, roupa ou acessórios que temos espalhados pelos armários.

Para mim, que adoro esta época do ano, a felicidade vem da oportunidade de estar com quem mais queremos - amigos e familia - vem das conversas e risos partilhados, do calor do aconchego, dos aromas que pairam no ar (seja qual for o ingrediente!!)...

Felizmente estou rodeada de várias pessoas que partilham este conceito e que ano após ano procuram concretizar estes valores. Com alegria. Sem "crise".

Espero que com a chegada do Martim continue a pensar e a agir da mesma forma. Se alguém notar que me desvio do caminho, é favor dar-me um estalo.

Feliz Natal para todos.

M.




18 dezembro, 2012

Quem é mais creativo??

33 é um número com leituras várias, sobretudo para quem é fã de interpretações espirituais, esotéricas ou numerológicas.

Para mim é mais um record. Um número que já permite respirar fundo e de forma mais serena. O pior já passou.

E que melhor maneira para assinalar este momento que a chegada dos primeiros amiguinhos que vieram para fazer companhia ao Martim. Ok. Por enquanto fazem-me companhia a mim, e estou muito contente com ambos. São fofinhos, silenciosos e não me contradizem, lol.

Mais um pormenor ternurento do meu príncipe que me deixou com a lagriminha ao canto do olho.

Nesta conjuntura de encomendas que nos vão chegando de familiares e alguns amigos mais próximos - e que me transmitem especial alegria por poder usar roupa e acessórios que já foram usados por outros a quem quero bem - não tínhamos ainda nenhum peluche, boneco ou brinquedo. São os primeiros a chegar a casa e só nos falta dar-lhes nome, que a ocasião merece.

Alguma sugestão?

M.

11 dezembro, 2012

Altos e baixos

Há dias li um artigo de um psicólogo que denunciava a pressão que se faz sentir sobre todos nós no sentido de demonstrar um permanente estado de felicidade.

Permanente, permanente, aho que não há nada que o seja...

E porque a vida não é sempre cor-de-rosa, há dias que só quero que passem rapidamente de preferência. Em que a "doce" espera não é assim tão doce.

Falta a paciência, sobra o inchaço, a dor de cabeça, a incapcidade de dormir e descansar, as contracções. E nesse terreno perigoso instala-se a angústia e a ansiedade.

Por quê que se mexe tanto? Por quê é que não se mexe? Estará bem? Eu já tive dias melhores... Já não sei em que posição estar porque cada vez que me mexo, pimba, bola de rugby na barriga. Por quê é que estou a ver pontinhos luminosos? Por quê é que não consigo dormir? Quanto aguenta um tornozelo inchado antes de rebentar? E a cabeça antes de explodir?

E ouvir vezes sem conta, "aproveita, descansa, dorme". Como se dependesse de mim.

Pronto, já disse. Ontem tive um mau dia. Daqueles em que o humor oscila entre a vontade de gritar com tudo e com todos, o desejo de me esconder num cantinho escuro à espera que passe o que seja que tenha que passar, e a vontade de chorar pela impotência que se sente nestes momentos. Não há cá técnicas de relaxação que funcionem. Pelo menos comigo.

Felizmente os dias só têm 24h e hoje, apesar do vendaval, vou recuperando a serenidade. Pouco a pouco.

Ooooommmmm.

M.


09 dezembro, 2012

Pequenos pormenores de felicidade.

Não podia estar mais de acordo com quem disse que "a felicidade não é um fim, mas um caminho". Para mim são esses pequenos momentos do presente em que tudo está simplesmente onde deve estar.

Um dia de sol.

Um xaile quentinho à volta do pescoço, feito e oferecido por alguém especial.

Um simbólico ramo de flores que assinala as tres semanas que já levamos em casa e as quase 32 semanas de gestação.

Uma saída, a primeira em muito tempo, para tomar demoradamente o pequeno almoço numa pastelaria, enquanto se lê o suplemento do jornal de domingo e se olha para a vida que há lá fora (se vocês não contarem ao médico, eu também não digo nada... afinal de contas fui de carro de porta a porta).

Ver as luzes de natal nas ruas, os reis magos pendurados das varandas, e observar os poucos e corajosos que passeiam com o frio que se faz sentir aqui pelo norte de Espanha alegraram este domingo de Dezembro cheio de luz.

É verdade que a felicidade está nos pequenos pormenores. Pelo menos para mim e no dia de hoje.

M.



28 novembro, 2012

Happy, happy, happy: semana 30 in progress e o Natal que se aproxima.

Nem acredito!!!!

Se até aqui estava já mentalizada com a perspectiva de um pequeno prematuro e com o universo incubadora e neonatologia, agora cada vez me parece mais provável que o Martim queira permancer no quentinho o maior tempo possível. Não me perguntem por quê, simplesmente é uma sensação que tenho...

Estou verdadeiramente tranquila e pronta a aceitar o que o universo decidir trazer. Tão pronta como possível para qualquer mãe que se estreia nestas andanças, claro está.

E como se aproxima a minha época preferida do ano, mesmo que este ano se rompa pela primeira vez a tradição do Natal com a familia no friozinho do Alentejo, com lareira, toneladas de comida e mega toneladas de doces, estou a contar os dias para fazer a árvore de Natal (sempre no dia 6, dia de São Nicolau) e a preparar a ementa da nossa consoada.

Sim, porque lá por não ir a Portugal não quer dizer que Portugal não venha até nós.

Não pode faltar o perú e o bacalhau, que o meu mais que tudo prometeu preparar seguindo as minhas instruções. Vá, a única concessão é mesmo para os doces. Pareceu-me que pedir-lhe que faça azevias já seria um bocadinho excessivo:)

E voilá, a um mês do Natal aqui estou eu a pensar em receitas tradicionais e a ouvir música clássica numa espécie de antecipação do concerto de Ano Novo de Viena, outra tradição que se mantém ano trás ano. Sim sou uma grande freak que tive a sorte de encontrar outro freak como eu. Adoro estar enroscada no sofá com uma mantinha no dia 1 de janeiro a ver o concerto.

M.










21 novembro, 2012

Quando a realidade não traduz o mundo ideal.

No meu mundo ideal pensei que ia ter uma gravidez de sonho.

Que ia poder trabalhar até ao final.
Que ia ser uma grávida cheia de estilo e glamour.
Que iamos fazer uma reportagem fotográfica familiar, dessas para mais tarde recordar.
Que ia percorrer todas as lojas de roupa, acessórios e mobiliário para preparar a chegada do petiz.
Que ia viajar até ser permitido pelas companhias de aviação.
Que ia dançar com o grupo de danças orientais para grávidas que a minha professora estreava este ano.
Que ia poder ir ao cabeleireiro e à depilação como sempre.
Ia, ia, ia...

Mas como estamos sempre a aprender que o ideal nem sempre coincide com o real...

Deixei de trabalhar em setembro, depois de uma ameaça de aborto às 18 semanas.
O conjunto que mais tenho usado alterna entre o azul e o verde das batas do hospital, combinado com o meu roupão fucsia, porque os corredores do dito são muito fresquinhos e, desde então, divido os meus dias entre o conforto do lar e a segurança do meio hospitalar. É que no último mês já lá vão três ameaças de parto prematuro.
Só tenho uma foto minha feita em casa, aos 6 meses e quase sem barriga.
As compras fazem-se online e, sobretudo, agradece-se à familia de ambos os lados da fronteira por se ter preocupado em nos enviar o "kit básico" para os primeiros tempos
Perdemos a estadia num hotel em Amsterdão, dado que a primeira hospitalização coincidiu com a viagem que tínhamos prevista (recuperámos o vôo, menos mal).
Exercício? O que é isso? Lembro-me vagamente... O único exercicio que faço é levantar-me para tomar banho. Quando posso e me deixam.
É melhor nem falar sobre o estado e o comprimento do cabelo. Descobri que posso estar 8 dias sem o lavar que não acontece nada de mal.
A depilação, enfim, faz-se o que se pode, e como sou pitosga parece-me que está perfeita!

Claro que tudo isto são parvoices comparadas com a satisfacção de estar a gerar uma vida dentro de mim e a emoção frente ao mundo desconhecido que vem por aí, com tudo o que tem de bom e de sacrificio. Uma amiga dizia ontem que apesar de todas as atribulações me invejava pela experiência que estou a viver e, de facto, não trocava este momento por nenhuma viagem, escapada, restylish e afins.

Nunca tive tanto tempo livre como agora. Leio, pinto mandalas, vejo episódio tras episódio da série Castle, falo todos os dias com as amigas via net e, semana a semana vamos avançando. Estou também numa fase muito minha, de introspecção. Não pensem que me dedico a meditar ou filosofar, nada disso, simplesmente a estar dentro do meu casulo, concentrada na minha tarefa de gestação, sem pensar em nada, na certeza de que vai correr tudo bem, mesmo que o rapaz pareça querer chegar antes de tempo. Porque a fé na vida é superior a qualquer angústia que de vez em quando aparece e nos assusta.

Conheci outras mulheres na mesma situação, com histórias muito diversas mas com muitos aspectos em comum que me ajudaram a vencer muitos medos graças à troca de experiências, receios e confissões. Devo dizer que a rede de solidariedade e apoio que se produz quando vemos que estamos todas nas mesmas circunstâncias é impressionante. Um apoio fundamental. E quando nos encontramos com as nossas batas sexys nos exames é como ir ao café com as amigas e a esperança cresce.

E não posso deixar de lado os profissionais (médicos, enfermeiras, auxiliares), que apesar da falta de materiais, da redução de salário e aumento de horas de trabalho, ajudaram bastante a relativizar os receios iniciais e a normalizar o "ir e voltar". Há mais reincidentes como eu, não julguem que tenho o exclusivo do assunto.

O mais importante é que o baby está bem e que tudo isto são só pequenos percalços que acontecem, nem mais nem menos. Que todos os problemas sejam estes.

O rapaz é só um bocadinho impaciente. Não sei a quem pode sair assim, lol.

Agora estou em casa. Espero que para uma bela temporada. E como sei que há mais meninas por aí que passaram por experiências parecidas, algumas bem mais sacrificadas que a minha, fico à espera dos vossos comentários e partilhas.

E como diz outra amiga que passou por uma gravidez complicadíssima, estamos ocupadas em trazer uma vida ao mundo, so what?

M.

PS. Se deixar de dar notícias novamente já sabem o motivo:)

31 outubro, 2012

Lamechices e dias especiais.

Para quem o género "comedia romântica" - há uns tempos não muito longínquos - produzia vómitos só de pensar na combinação imagem/argumento côr de rosa, e achava que os aniversários eram uma pieguice completamente desnecessária, tenho que confessar que podia perfeitamente ganhar o prémio da lamechice pegajosa:)

No bom sentido claro!

Acredito que os acontecimentos importantes devem ser celebrados, mas quando queremos recordar esses momentos, por vezes acontece que há várias datas marcantes no nosso calendário pessoal.

Ele está o dia em quem tudo (re)começou. O dia em que vim viver para Espanha e começámos a nossa aventura juntos. O dia em que o príncipe me surpreendeu e me ofereceu um anel. O dia em que nos casámos. E em breve (mas espero que não tão breve quanto isso!!!) vamos acrescentar uma nova data marcante ao nosso calendário.

Até aqui tenho procurado sempre assinalar estes dias de uma maneira especial. Porque descobri que sou uma romântica, à minha maneira, sem espalhafato e sem fogos de artifício, mas a essência está lá. E porque os dias não são todos iguais e há momentos especiais.

Ultimamente as viagens, as escapadas e os jantares românticos têm sido forçosamente relegados para segundo plano mas ainda assim são comemorações que não vamos esquecer.

Às vezes, less is more.



M.


PS. Tb gosto da versão more is more:) Sobretudo quando inclui hotel de *****, spa, e room service. Fico a aguardar pela próxima oportunidade!

25 outubro, 2012

Infolítica. That's me:)

Esta semana fiquei a saber que sou uma "infolítica". Pelo menos é o que diz uma amiga que pacientemente me explicou de que se trata: uma espécie de neolítica das novas tecnologias, um exemplar raro que anda por aí com papel e caneta na mala e até há uns dias tinha um telemóvel que não permitia enviar e receber fotografias, ohhhhhhh, ser estranho...

Tudo isto a propósito da minha última fraqueza. Confesso. Não consegui resistir mais!! Tenho um brinquedo novo e, por estranho que possa parecer, acho-lhe uma certa piada.

Estamos a atravessar uma fase de exploração e descoberta recíproca. Pouco a pouco. Tudo é novo e excitante:) Funções e mais funções, menús ocultos, possibilidades desconhecidas até agora.

Desconfio que a aprendizagem vai demorar o suficiente para voltar a entrar novamente nesta categoria, daqui a uns tempos. Quando o brinquedo voltar a ser jurássico, como eu.

M.

17 outubro, 2012

Momentos especiais.

Depois de concluir o meu primeiro mandala (para os hindús rangoli) dedicado à aceitação, decidi não seguir a ordem proposta pelo livro e ir saltitando de tema em tema em função do meu estado de espírito.

E foi assim que cheguei ao texto e à representação da "Gratidão":
"Deves ser agradecido e receber todas as bendições que recebes. Quando agradeces ao universo pelos seus presentes, este responde com generosidade. Há que agradecer por tudo aquilo que tens, tanto o tangível como o intangível, porque cada vez que agradeces do fundo do coração, mais recebes."

Acredito verdadeiramente na gratidão e no reconhecimento para com o universo e para com aqueles que partilham connosco o tangível e o intangível dos nossos dias com a sua generosidade e o seu carinho.

Por isso chegou o momento de agradecer. Agradecer a cumplicidade, os silêncios, o apoio incondicional, os abraços e as lágrimas partilhadas ao longo deste percurso de altos e baixos. Ainda há um importante caminho a percorrer, mas parece-me justo e necessário agradecer ao universo o facto de termos chegado até aqui. Já só faltam tres meses!!!



Este foi primeiro presente que recebemos, mas simboliza todos os restantes, incluidos os mimos:)

OBRIGADA!!!!!!!!!!!!!!!!!!

M.

08 outubro, 2012

A prosa poética das vaidades.

Na sequência do post anterior, sobre os significados ocultos dos rangolis, e para não pensarem que me vou dedicar a recitar mantras vestida com uma túnica branca e um colar de pétalas, e olhem que já estive mais longe desta imagem, fiquem a saber que também me dedico a outras actividades de natureza lúdica que me ajudam a passar as horas de uma forma mais divertida que se estivesse a ver um capítulo dos Friends (coisa que também faço, juntamente com vários capítulos do Frasier).

Sei que alguns não vão acreditar e vão pensar que quem está aqui a dar às teclas é um invasor de outra galáxia que usurpou o corpo e a identidade da verdadeira Marta. Outros vão pensar que pronto, está visto que se espanholizou completamente. E outros ainda, como a minha querida M.M., vão perceber o por quê da minha recentemente adquirida paixão.


Minhas queridas, não há melhor estímulo para uns belos momentos de risoterapia que folhear as páginas desta verdadeira poesia em forma de prosa que nos deixa frases inesquecíveis como a que descrevia o modo como a Kournikova (ou lá como se chame a rapariga) tinha "deixado o inverno comunista da União Soviética para aterrar na primavera de liberdades de Miami" ou o titular que dizia que os príncipes de Asturias tinham ido jantar a "um restaurante de moda e económico em pleno coração de Madrid, com toalhas de papel". Pasme-se, com toalhas de papel!!!!!!!!!!

Ao longo dos quatro anos que já levo deste lado da fronteira nunca tinha compreendido o conceito !Hola!. Nem sequer no cabeleireiro nem no médico, verdeiras bibliotecas da especialidade, me tinha deixado seduzir por esta publicação, mas nestes últimos tempos devo confessar que é dos entretenimentos que mais me divertem e que dão azo a um sem fim de comentários e gargalhadas do mais terapêuticas que podem existir.

Não sei qual é a vossa opinião mas a vida não é feita só de coisas sérias e de matéria para o intelecto, às vezes um bocadinho de futilidade e nonsense são um bálsamo para manter a sanidade mental. Pelo menos para mim.

E dito isto, vou alí ver o que diz a duquesa de Alba esta semana:)

Bjs.

M.

Significados ocultos.

"Ao largo da vida deves confiar nos seres superiores para saber o que é melhor para ti. Às vezes deves ser paciente já que saber esperar te dará forças para estar preparada para algo ainda melhor do que esperavas. Transformar uma atitude de desespero em aceitação permite-te relaxar e deter de maneira a poder ouvir as sugestões divinas. Desta forma, a vontade interior e as acções irão juntas numa mesma direcção".
Asha Miró, Rangolis da minha terra.

Este fim de semana o príncipe cá de casa supreendeu-me com este presente tão bonito como simbólico. O que para muitos poderia parecer um apontamento infantil dado que o objectivo é colorir desenhos, está repleto de significados ocultos, de ensinamentos, de apontamentos antropológicos, de expressão criativa. E, fruto do acaso ou talvez não, abriu-se precisamente pela página 12 dedicada, como não poderia deixar de ser, à paciência. Há ragolis sobre a alegria, a diversão, a curiosidade, a abundância, mas tinha que começar pelo mais indicado para mim neste momento: a paciência.

O texto é de facto inspirador e pode ser que me ajude nesses momentos em que o desespero espreita à porta e faz das suas. Felizmente são episódios esporádicos, mas ainda assim, mais vale prevenir que remediar.

M.




30 setembro, 2012

O fígado e as energias bloqueadas.

Esta semana falei com o meu "guru das agulhas", nome carinhoso que utilizo para o meu acunpunctor, que me reiterou - uma vez mais - que o meu problema é um bloqueio energético do fígado.

Quem se interessa por este mundo das terapias alternativas - e se não se interessam aqui fica a informação- sabe que o fígado é o órgão responsável pela purificação e desentoxicação do organismo, a nível emocional, espiritual e fisiológico. E quando há desequilibrios energéticos o que acontece é que deixa de conseguir digerir, metabolizar, processar e ficamos reféns de uma espiral de pensamentos repetitivos que dão lugar a atitudes altamente masoquistas que só servem para incrementar essa sensação de que não controlamos nada do que nos rodeia e que as circusntâncias nos devoram e ultrapassarm, e ficamos sem saber muito bem o que fazer para sair dessa armadilha com a qual tropeçamos de forma recorrente.

É então quando se instala o pânico generalizado, o medo a falhar, a não estar a altura, o medo das consequências das nossas acções mas também das não-acções, a desorientação: o que fazer, por onde seguir? Sentimo-nos indefesos, incompreendidos (nesta fase todos os que nos rodeiam parecem exemplos perfeitos de sensatez, serenidade, equilibrio...), em suma, perdidos.

O fígado, incapaz de coordenar toda esta agitação interna, bloqueia-se e somos dominados pela mente e pelos pensamentos (os nossos maiores e piores inimigos) e chegados aqui só há uma coisa a dizer: Boa sorte!!!

A solução parece passar por um exercício de introspecção, de ouvir o que vai cá dentro e de integrar aquilo que nos perturba, nos incomoda e nos faz perder o equilibrio. Mas agora pergunto: se um dos grandes problemas advém precisamente do facto de "pensarmos" demasiado, não corremos o risco de nos perder ainda mais nesta novelo de lã emocional?

A certa altura, as terapias convencionais do tipo electro-choque começam a parecer uma ideia interessante... Se não dessemos tantas voltas ao miolo certamente que o fígado ia funcionar lindamente:)

Vou alí tomar um moscatel para ver se o dito "aprende a descontrair", frase lapidar que constitui o leitmotiv de todos os desequilibrados como eu.

M.




24 setembro, 2012

The story of our lives.

1. Os acontecimentos vitais que marcam a nossa existência não chegam quando nós queremos. Chegam no "momento certo", quando uma qualquer ordem cósmica ou força espiritual considera ser "o" momento.

2. Os momentos, os encontros e as experiências realmente importantes raramente se concretizam como nós imaginamos. As circunstâncias que os propiciam são as mesmas que os definem.

3. Nós não controlamos as circustâncias. Mas se combinarmos elevadas doses de esforço e flexibilidade é possível adaptar-nos a elas.

4. Se estivermos atentos, aprendemos qualquer coisa pelo caminho.

5. E se não, temos sempre o conforto de saber que há coisas com as que podemos contar, ano após ano. E é que o outono já chegou, com essa luz tão que nos faz ter a certeza que há um brilho especial por aí à nossa espera.

M.


13 setembro, 2012

O difícil exercício da paciência.

De tanto em tanto, a vida traz-nos oportunidades de crescimento pessoal. De aprendizagem sobre nós próprios, sobre as nossas prioridades, sobre os que nos rodeiam.

No meu caso, e de forma recorrente, surgem momentos que apelam ao difícil exercício da paciência. Sim, porque sou daquelas pessoas que querem aprendem a correr antes de saber andar, que quando tem um objectivo gostaria de o satisfazer de forma imediata, e para quem estar quieta é algo contra-natura.

E estou a viver um desses momentos. E não é só no sentido figurado. Tenho meeeeesmo que estar quieta. Pelos vistos só posso concluir que não aprendi ainda a lição, mas estou convencida que este ultimate challenge vai ser superado.

Ao mesmo tempo as prioridades tornam-se claras, evidentes, e os sacrifícios não o parecem tanto.

E as pessoas que me rodeiam mostram o seu melhor lado. O mais bonito. O mais generoso.

Passo a passo, a aprendizagem é lenta mas continua.

De qualquer forma, não vou a lado nenhum.

M.


08 setembro, 2012

Chapéus de sol na praia. Spain is different.

Bem, só para finalizar a temática do verão e das diferenças culturais dentro da península ibérica, um breve apontamento sobre a colocação dos chapéus de sol nas praias portuguesas e espanholas.

Em Portugal, seja qual for a técnica seleccionada para introduzir o dito cujo na areia (suaves movimentos circulares ou frenéticos espasmos para a frente e para trás), normalmente a posição em que se coloca o chapéu tem em conta duas variáveis: a direcção do vento e o movimento do sol. E quando se junta em grupo mais que um chapéu, geralmente dispoõe-se numa espécie de círculo irregular, com os sacos no centro e as toalhas estendidas ora ao sol, ora à sombra, dependendo dos gostos. Pelo menos é assim que recordo as praias portuguesas.

Aqui não é a assism. Pelo menos nas praias do sul que conheço. Para começar há quase tantas cadeiras quantos chapéus porque prolifera uma espécie de banhistas para quem a a areia deveria ser eliminada das praias. É nojenta, pega-se ao corpo e ainda por cima é uma superfície incómoda. Estes banhistas dirigem-se em grupo às praias do litoral, com as suas geleiras, cadeiras (há umas verdadeiramente avançadas que servem de carrinhos com rodinhas para transportar as tralhas e depois se transformam em espreguiçadeiras, uauuuu!) e chapéus que se colocam todos alinhados de frente para o mar, e quanto mais perto da água melhor, com as cadeiras estrategicamente posicionadas debaixo dos mesmos. Não está mal pensado, mas é estranho de ver, todos em fila...

Ainda mais estranho é ver sair garrafas de gin de dentro dentro das geleiras que, combinadas com coca-cola, ajudam a refrescar dos calores do verão, lol. E também saem tortillas, macarrão com tomate, frango panado, salada russa (maionese com calor, o sonho da salmonela!!!) e vá, nalguns casos uns iogurtes e uma fruta para a aligeirar o menú.

Há praias onde os banhistas se levantavam de madrugada para conseguir a melhor localização para o seu chapéu de sol e depois voltavam para casa, para tomar o pequeno-almoço, ir às compras, dormir, o que obrigou algumas câmaras municipais a "varrer" as praias e retirar todos os objetos que enccontrava a horas suspeitas, tipo às 7 da manhã.

Claro que nem todas as praias são assim, nem todos os banhistas levam o camping gas para o areal,e há muito litoral que não se parece em nada a esta imagem:)

Só não digo onde, não se vá transformar no cenário do pesadelo!!

M.


31 agosto, 2012

O boxer e o calção de banho.

Bem, dizia no post anterior que não me lembrava das anedotas que se foram sucedendo ao longo desta ausência do mundo virtual, mas há uma que ainda não consegui eliminar da memória e olhe que até nem me importava...

Não sei qual é o código de vestuário e a moda implementada este verão nas praias de Portugal, mas no sítio onde estive (sul de Espanha, perto de Almería) os adolescentes - os autênticos e os tardios - adoptavam uma indumentária, como dizê-lo, no mínimo estranha.

Ora aí vai: boxer de algodão por baixo de calção de fazer desporto, de alturas e tonalidades variadas. O importante era que se visse o elástico do boxer, e não era lá porque se tratasse de um boss ou qualquer coisa do género. E o calção de fazer desporto em muitos casos parecia um fato de banho! Estou perfeitamente desconcertada.

Não acham que deve ser um bocadinho incómodo tomar banho com roupa interior de algodão enfiada debaixo de outra peça de roupa? Aquilo depois tem que secar, não? E o que me dizem da areia?? Ficam tipo croquete de carne??

Como dizem os nuestros hermanos quando nos ouvem falar português "no entiendo!!".

E pronto.

Primeiro episódio rocambolesco partilhado.

Mais a caminho.

M.




O regresso.

Depois de quase um mês sem passar por aqui espero que o mês de setembro, época de recomeços e regressos variados, seja o mês da reentré na blogosfera.

Entre as últimas semanas de trabalho com o cansaço instalado, a falta de energia e as merecidas férias, estive completamente out.

Acho que se impõe uma explicação. Não pensem que fui de férias para uma qualquer ilha paradasíaca nos mares do sul onde não havia rede, ou para um campo de cooperação e voluntariado no deserto. Nada disso.

Simplesmente faço parte de uma espécie em vias de extinção (na realidade não sei quantos somos, mas quero acreditar que há mais por aí como eu...). Não tenho internet no telemóvel. Não tenho wasap. Uso um telemóvel com teclas (sim, com teclas, não é de ecrã táctil). Não sinto a necessidade de ver o mail todos os dias. Não preciso de me "ligar" ao mundo virtual quando estou de férias. Não faço parte dos tempos modernos, portanto.

Quando vou de férias levo livros e revistas. Esvazio a mente (não requer nenhum esforço, é completamente automático). E, de preferência, passo o tempo a passear e a contemplar a paisagem. Seja na praia, na cidade ou na montanha. É assim que desligo e carrego as pilhas para o resto do ano.

Claro que agora tenho montes de anedotas para contar que já me esqueci, fotos para organizar e partilhar, mas não faz mal. Gosto de ser assim, freak e analógica:)

M.

02 agosto, 2012

Em estágio...

Quando muitos regressam das suas semanas estivais de repouso e lazer há quem, como eu, ainda ande a contar os dias no calendário para esse ritual de verão que nos permite num curto espaço de tempo desligar da rotina do dia-a-dia.

É que por muito equilibrada que seja essa rotina, estes cortes com o quotidiano são fundamentais para manter a nossa sanidade mental e renovar o espírito, ou pelo menos para fazer uma espécie de reset, estilo limpeza de células mortas (ou adormecidas) como se se tratasse de um peeling mental.

Cada vez são menos as pessoas que conheço que fazem férias de um mês, tres semanas, ou até de quinzenas. Vamos distribuindo dias aqui e ali ao longo do ano, quando é possível, mas este verão sinto uma enorme necessidade de parar. Dez dias seguidos não estão nada mal para esse propósito, em que o objetivo é não não ter objetivos. Simplesmente estar. Dormir, ler q.b., ouvir o mar e o ruído longínquo das pessoas na praia (por estranho que possa parecer, parece-me muito relaxante...). Vestido, chinelo, chapéu e estado zen.

Já falta pouco. Entretando posso seguir a sugestão do meu príncipe e por um poster com uma paisagem dessas foleiras de praia com palmeira na parede da cozinha para me sentir cada dia mais perto do paraíso.

Na parede da cozinha parece-me excessivo, mas aqui neste cantinho não fica nada mal...


M.



18 julho, 2012

La plenitud (o el primer post en español).

Desde el primer momento en el que decidi inaugurar este rincón que había decidido hacerlo en português. Porque es mi idioma, porque hay expresiones e ideas que nos salen mejor en nuestra lengua de origen, porque era también una forma de compartir mis momentos con mi gente de allí.

Pero luego me di cuenta que al hacerlo excluía de este espacio a mi gente de aqui, que también forma parte de mi vida y con quién comparto muchas de las divagaciones que dejo aqui plasmadas.

Así que, buscando la solución intermedia y subir algunos posts en portugués y otros en español, una verdadera mezcla ibérica, que a dia de hoy es lo que mejor me define: un mix.

Y por qué el título de "La plenitud"?? Pues el otro día mientras leía el blog de mi amiga MM (en portugués, sorry) me inspiraron sus reflexiones sobre la felicidad y sobre como bajo la apariencia de la normalidad y de la continuidad, todo había cambiado para encontrarse en su sitio.

Hace tiempo que venía experimentando la sensación de que estaba en el limbo, a camino de algún lugar, de algo que no sabía lo que era, como en transición para otro momento vital. Y a pesar de que aparentemente nada ha cambiado, esa sensación ha desaparecido. Simplemente estoy. Soy. Sin saber o pensar en qué será mañana.

Para mi es lo más cerca a la plenitud que jamás he experimentado. La sensación de que todo está en su sitio, aunque no exista un sitio definido, concreto.

Las risas y confidencias compartidas con los amigos. La empatia con los que compartimos distintos momentos de nuestras vidas. El encuentro con nuestra pareja. El sol que nos calienta en estos días de verano. El equilibrio. Todo eso debe de ser la plenitud. Sea lo que sea, me gusta.

M.




08 julho, 2012

Toucados.

Um dos entretenimentos da tarde de ontem consistiu na observação, comparação e crítica dos toucados que as espanholas adoram em usar nos casamentos.

Estava eu sentadinha com umas amigas numa esplanada do Espolón, uma espécie de Plaza Mayor aqui de Logroño, a falar de férias, viagens e afins quando ficamos as tres estupefactas perante o desfile de vestidos de cerimónia que começou a ter lugar diante dos nossos olhos e que durou mais ou menos uma hora.

É que o Espolón é o ponto de encontro e partida em autocarro dos convidados, qual excursionistas, para algum dos muitos restaurantes e salas de festas que existem nos arredores. A cerimónia normalmente tem lugar numa das igrejas do centro histórico e depois seguem todos para a festarola. E nós ontem tínhamos um lugar privilegiado para a observação de modelitos. E, claro, havia para todos os (des)gostos:)

A questão da indumentária de cerimónia é algo que muitas mulheres espanholas levam muito, muito a sério, investindo autênticas fortunas em modelos (alguns inexplicáveis) que raramente repetem noutras ocasiões. Claro que estou a generalizar, porque a maior parte das minhas amigas recicla, recorre ao armário de outras amigas e não mata a cabeça com estes assuntos. Mas, que las hay, hay:)

Tivemos o prazer de observar de tudo. Desde vestidos compridos que brilham na escuridão e que não deviam aproximar-se de fontes de ignição, just in case; aos que competiam pelo minimalismo de tamanho (se alguém se lembra da menina grega da eurovisão deste ano, eram nessa onda), aos saltos vertiginosos que obrigam a posturas caminhantes no mínimo bizarras, e esse complemento que dá título a este post: os toucados.

Como adereço em si há alguns que são verdadeiras obras de arte, bonitos, elegantes. Outros são... Digamos, espantosos (de espanto!!). E não sei por quê, mas a mim parece-me que nem todos ficamos bem de toucado... (nunca experimentei, mas estou aberta a novas sensações, lol). Sei lá, é como os shorts, são super elegantes, ou assustadores, dependendo das pernocas que lá vão dentro.

É isto é uma opinião de uma "guiri" forma carinhosa que os espanhóis utilizam para se referir aos estrangeiros que desfilam pelo país estilo gamba (do escaldão) e que usam sandália com soquete branco. Não é o meu caso, mas sou "guiri" pelo que me estão permitidas certas combinações impossíveis para os nacionais. O casaquinho de malha sempre à mão é uma delas.

Acontece que muitas manhãs o princípe me diz, qual carneiro prestes a ser degolado "ehem, Marta, acho que esses sapatos não ficam nada bem com esse vestido...". Ao que eu respondo "achas??? Olha paciência, já os tenho postos e não me apetece calçar outros".

Quer-me parecer que algumas das senhoras com toucados também não ligaram nada aos maridos-assessores de imagem.

M.

"De Rodríguez".

Este fim de semana estive "de rodriguez". Passo a explicar esta pérola idiomática e cultural de nuestros hermanos.

A expressão "de rodríguez" aplica-se a uma realidade que começou a verificar-se nos anos 70, mais coisa menos coisa, e se refere à debandada generalizada das esposas e filhos para os pueblos - ou para as costas no caso dos mais adinheirados com segundas residências na praia - a partir de finais de junho e durante o mês de julho, até que em agosto o chefe de família tinha férias e se reunia ao resto da familia.

Para os machos latinos, apelidados genericamente "rodríguez", esta experiência tinha um sabor agridoce. Doce porque eram "livres" para fazer o que bem entendessem sem o controle social das mulheres (as suas e as dos amigos), o que invariavelmente remete para o imaginário das noitadas de copos e seduçao com os restantes "rodriguez" pelos bares das cidades (há vários filmes desta década bastante ilustrativos deste conceito). Agrio porque supostamente estamos a falar de uma geração de ineptos nas lides domésticas (outra leitura é a de que se tratava de uma sociedade bastante machista a este respeito) que esgotavam a roupa limpa, não comiam nunca em casa dado que não sabiam estrelar um ovo, e que bem lá no fundo estavam desejosos de regressar ao regime de "tudo incluido", vigente durante o resto do ano.

Os tempos mudaram mas a expressão ficou. Tanto serve para homens como mulheres que, em momentos pontuais, passam uns dias sozinhos em casa, sem a companhia dos respectivos, dias que se aproveitam para fazer o que nos da na real gana, para nao ter obrigações, uma especie de liberação da rotina.

E pronto, depois da explicação cultural, resta-me dizer que o meu príncipe foi a uma despedida de solteiro de um amigo e eu fiquei com dois dias e meio pela frente só para mim. Yeiiiiiii:)

Claro está que de tudo o que pensava fazer não fiz nem um terço (característica típica de estar "de rodríguez"). Primeiro porque tive a má sorte de acumular um entupimento que além de umas décimas de febre não me deixou respirar e descansar durante a noite. E depois porque já estou altamente espanholizada no que se refere à galderice. E o que era suposto ser uma cervejola na esplanada às 6h da tarde transformou-se numa sessão de galhofa que durou até às 11 da noite, sexta e sábado.

Ainda assim dei um saltinho às "rebajas" e comprei um vestido onda surfista da Quicksilver e um pijamita na Womens Secret. Além de ter deitado o olho a mais umas quantas coisitas, entre elas um bikini na Vanity Fair, mas que requer uma segunda opinião de alguém que não ganhe comissão com a sua venda.

E pronto, hoje o dia já vai adiantado e ainda não fiz nada de jeito. Bem, ouvi pela terceira vez o Cd que me gravou a professora de danças orientais, tomei um pequeno almoço demorado na pastelaría a que costumo ir aos domingos, li o editorial do A. Pérez-Reverte de quem sou fã por ser tão políticamente incorrecto e por partilhar grande parte das suas opinões, e agora estou aqui a escrever este post.

Se estar de rodríguez não é isso, então não sei o que será:)

De qualquer forma, quando o príncipe regressar esta noite, o dia vai ser ainda melhor.

M.

05 julho, 2012

Relativismos.

Enquanto observo como o pessoal começa a desaparecer para gozar das suas férias, fins de tarde na piscina e fins de semana na casa da terra, invariavelmente mais fresquinha que as cidades onde habitamos, faço o que posso para amenizar a espera pela chegada desses dez dias que vão saber a glória e que me vão permitir introduzir uma especie de pausa no espaço e no tempo para, de verdade, viver o "aqui e o agora". Sem preocupações. Sem expectativas. (Vá, ok, só uma, que o S. Pedro ajude e que não chova nem faça frio).

Não sei por quê, mas nas férias parece que é mais fácil por em prática esta máxima que deveria de estar presente todos os dias, durante todo o ano.

A vida é tão fugaz. Tudo pode mudar num instante. E nada volta a ser como antes.

E quando pensamos no "desgraçadinhos" que somos porque não conseguimos alcançar um qualquer objectivo profissional, porque não temos guito para comprar esse automóvel que nos ia ficar a matar, ou para ir de férias para um qualquer destino exótico, devíamos parar uns segundo e relativizar. Como nem sempre o fazemos, às vezes somos impelidos a isso.

Esta semana uma amiga contou-me um bocadinho da sua história de vida. E eu, que até esse instante pensava que o meu percurso pessoal até nem tinha sido dos mais fáceis, e conhecendo algumas histórias de rupturas, doenças e acontecimentos mais ou menos traumáticos de pessoas que me são próximas, nunca, nunca, nunca, poderia imaginar uma situação assim. Senti-me pequenina, pequenina, pequenina, insignificante mesmo, mas no bom sentido. Não sei se me explico. Pequenina face à grandeza de quem tinha ao lado, insignificante no meu suposto sofrimento que, comparado como o que me contou, se pode classificar como um agradável e sereno passeio pelas nuvens.

E de repente dei por mim a imaginar uma Meryl Streep a protagonizar esta biografia, num desses filmes que já não se fazem e que nos fazem encolher o coração e deixar de respirar até chegar o merecido final feliz.

E perante uma partilha destas o que dizer?!! A única coisa que me ocorreu foi gritar uma espécie de olé, olé, olé de admiração porque qualquer comentário seria tão insignificante como trivial. Olé, olé e mais olé.

E agora gosto ainda mais deste minha amiga.

E sei, positivamente, que há sempre um caminho à nossa espera.

M.

02 julho, 2012

Cheirinho a férias.

Este fim de semana decidimos oferecer-nos um capricho e escapar para a costa basca para mudar de ares e carregar as pilhas para conseguir atravessar o mês e meio que ainda nos falta para as nossas curtas e ansiadas férias.

Um destino a duas horas de distância mas que nos transporta para uma paisagem a meio caminho entre os alpes suiços e o Mónaco, não que eu tenha estado em nenhum destes sítios mas é assim que os imagino.

Montanhas, vales e bosques, estradas que serpenteiam os montes, sobe e desce constante, escadinhas, escadas rolantes e elevadores nos pueblos e o mar ao lado.

Que saudades do mar!!!!!!

Mas como não há bela sem senão... O tempo é muito caprichoso!! Tres horas de sol muito bem aproveitadas e de repente o céu tornou-se negro, a chuva miudinha instalou-se e a temperatura desceu vertiginosamente. É caso para dizer, "foi bom enquanto durou!".

Ainda assim valeu a pena conhecer novas paragens, comer peixinho fresco, observar como vivem e se divertem os locais. É que no País Basco há uma verdadeira obsessão com as actividades ao ar livre -apesar do tempo não encorajar-. Há quase tantas bicicletas como carros pelas estradas, e só de ver como sobem as ladeiras, uiiiii. Qualquer monte serve para passear. Andam pelas estradas. Fazem regatas de traineiras. Jogam à pelota basca usando como único acessório a mão... Oh lord, só de pensar nisso fico cansada.

Vou alí esticar-me no sofá e repor forças. Com uma fatia de bolo e um chá preto geladinho.

M.













28 junho, 2012

Logroño Bem-Me-Quer.

À conta do post sobre o destino de férias deste ano pus-me a pensar que Logroño é mais ou menos como Carboneras, não tem nada de especialmente bonito ou interessante, mas no seu conjunto é uma cidade que oferece de tudo, tem espaços muito agradáveis e que, sobretudo, me trata bem.

Há sítios assim, onde parece que tudo se combina para correr bem, para nos tratar bem. E outros de onde só apetece fugir a sete pés.

Desde que aqui estou que tenho vivido experiências e situações que são uma prova de que "Logroño Bem-Me-Quer"

Consegui vaga nos cursos de dança da universidade popular, acabo de saber que consegui outra vaga para o curso de italiano da escola oficial de idiomas (a importância destas "vagas" traduz-se no preço que se paga por um ano escolar inteirinho e que ronda os 100 euritos), abriu uma loja Rituals depois de meses a dizer que era só o que faltava para ser perfeito, encontrei um guru das agulhas (leia-se mestre acunpunctor), e esta tarde vou com uma amiga a uma sessão de cuidados de beleza e maquilhagem que ganhei num sorteio daqueles em que se preenche um papelinho com dados pessoais sem fé de que sirva para outra coisa que não seja o envio de publicadade.

A conclusão só pode ser uma: I feel good!!!

M.


26 junho, 2012

Em estágio.

Nos últimos dias tenho sido alvo de comentários mais ou menos subtis destinados a perceber qual é a minha preferência para o jogo de amanhã.

Como se o facto de falar em perfeito castelhano sem sombra de sotaque próprio de imigrante oriunda do país das toalhas e dos faqueiros (sim, minhas amigas, esses são os nossso produtos mais emblemáticos deste lado da fronteira, e agora o CR7) tornasse impossível torcer por outra selecção que não a do meu país de acolhimento.

O que não sabem é que tenho um passado futbolístico... Mais ou menos oculto, devo confessar. Sim, houve um tempo em que não perdia um jogo do meu clube do coração - SPOOOOOOOORTING - em que até ia ao estádio de vez em quando, em que sabia o que era um fora de jogo e uma falta para amarelo. Mas depois passou-me. Assim como a adolescência tardia. Acho que enjooei o futebol. Deixei de me interessar.

Mas como toda a gente sabe, podemos pintar o cabelo de mil e uma cores, converter-nos a outra religão, mudar de nome, de namorado, de país, mas nunca, nunca, nunca, se muda de clube/selecção!!!!

Por isso - e porque estamos perto dos 40º - hoje vou estar concentrada em casa, em estágio. A reunir forças para o jogo de amanhã.

PORTUGAAAAAAAAAALLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL!!!

M.













23 junho, 2012

Dois meses para a fotosíntese:)))

Depois de analisar ao mais ínfimo pormenor todos os catálogos disponíveis nas redondezas, e de sonhar com destinos exóticos impossíveis de alcançar (mas só por enquanto) finalmente temos as férias reservadas e já estamos em contagem decrescente.

Esperam-me (espero!) dez dias de vestidos esvocaçantes e chinelo no pé, bikinis e óculos de sol, sestas e passeios e, sobretudo, de dolce far niente, com autorização da minha amiga M.M. autora do blog com o mesmo nome:)

Esa é a parte positiva. A negativa é que ainda faltam dois meses!!!!!!!!!!!!!!

Repetimos destino em Carboneras, na costa de Almeria, um pueblo que me faz lembrar a Manta Rota da minha infância (diferente da massificação de hoje), onde não há bolas de berlim mas há conquilhas, onde não há hotéis e as casas não têm mais de duas ou tres alturas, onde nada é especialmente bonito ou interessante, mas que tem uma água quentinha e cristalina, se estaciona o carro no dia da chegada para só voltar à estrada no dia do regresso.

Não me fazem a cama, nem o pequeno almoço, nem há mojitos all day long, mas para mim é suficientemente perto do paraíso para estar a contar os dias no calendário para a operação "fotosíntese".

M.


17 junho, 2012

Quando o barato sai caro...

Com o verão e o calor chegam as infinitas possibilidades de combinações cromáticas em pés e mãos.

Fuscias, laranjas, corais, azuis há sempre um tom que combina exactamente com aquele estampadao de um vestido ou com o tom de umas sandálias.

E a oferta é abundante e variada.

Até aqui tudo bem.

Minhas amigas, se já têm uma marca de confiança aconselho vivamente a não fazerem experiências com frasquinhos a menos de 2€ que vendem, por exemplo, assim só por exemplo, na Yves Rocher (aqui há lojas aí julgo que é por catálogo...).

Depois de tres dias emocionada com as minhas unhas azul petróleo chegou o momento da verdade. O do algodão e acetona. E o que descobri não me agradou nada. Não foi o facto de ter gastado um pacote de algodão e um frasco de acetona para retirar o dito. O susto veio depois quando vi que tinha as unhas tingidas e que, mesmo depois de dez passagens de algodão não há maneira de conseguir que deixem de ter um tom esverdeado!!!!!!!!!!!!!!!!

Socorro!!!! Pareço um alien...

M.





PS. Se mais alguém padeceu deste problema agradece-se partilha de solução.

13 junho, 2012

O meu melhor perfil.

No sábado passado fomos conhecer Tudela, uma cidade a mais ou menos uma hora de Logroño mas que já faz parte de outra comunidade autónoma, Navarra, mais conhecida pelos touros de Pamplona que por qualquer outro elemento natural ou cultural.

Lá fomos cheios de curiosidade e animados pela sugerência de alguns conhecidos.

Bonito, bonito... O que se diz bonito... Digamos que talvez não tenha conseguido captar a sua beleza mais interior.

Mas como tudo tem um lado positivo, fiquei literalmente a babar na montra de uma loja de antiguidades em frente a uma máquina de escrever Underwood que ia ficar lindamente no escritório que algum dia irei ter em casa. Infelizmente não a pude comprar porque a loja estava fechada (não julguem que era por custar uma pipa de massa, não!!!!)

E devorei (sim, eu também devoro ocasional e esporádicamente) uma menestra de verduras que estava, como se diz por aqui, "exquisita" - não confundir com esquisita.

A menestra é um guisado de verduras que se come em todo o país, mas cuja qualidade nos restaurantes deixa muito que desejar. É feita com ervilhas, favas baby, espargos, alcachofas, cenoura, feijão verde, batata, cardo, depende da zona. E depois há que desvirtue juntando ovos cozidos e bacon.

Tudela é conhecida pela qualidade das verduras locais e calculo que a minha memória gastronómica não se vai esquecer desta iguaria.

E para acabar a experiência em beleza, uma visita à catedral em cujo claustro desobri o meu melhor perfil: de olhos fechados em jeito de "preciso de dormir uma sesta já!!!"

M.



12 junho, 2012

Time out.

Há já alguns dias que não venho aqui a este cantinho contar episódios da vida quotidiana nem pensamentos ou reflexões mais ou menos confusas.

Por nenhuma razão em especial.

Observo-me a seguir uma máxima de Eurípedes.

"Fala se tens palavras mais fortes que o silêncio, ou então, guarda silêncio."

I´ll be back.

M.





06 junho, 2012

E se a bússola se avariar?

E se mesmo procurando o norte, ou o sul, ou qualquer outra direcção, não superamos a prova de orientação?!

São dúvidas que de vez em quando tenho.

Continuamos à procura ou é melhor dedicar-nos a gozar da paisagem do sitio onde estamos?

Se alguem tiver resposta, agradece-se a partilha.

M.

03 junho, 2012

À procura do norte. Ou sul. Or whatever.

Ontem depois de regressar do workhsop de cupcakes (há fotos no FB para quem estiver interessado) e para mudar de registo depois de tanta doçura retomei a leitura de um livro de um psicólogo argentino e que tem um título que adoro "Gente tóxica. Pessoas que nos complicam a vida e como evitar que continuem a fazê-lo".

Cada capítulo descreve um tipo de toxicidade, o perfil, motivações, como identificar cada um deles e como evitar os seu efeitos nefastos. Mas o que adorei da leitura de ontem foi ter encontrado um capítulo que fala sobre nós próprios como os principais agentes da toxicidade que nos afecta!!

Dizia algo como que 80% das restrições que sentimos são impostas por nós próprios, e por mais ninguém. E não podia estar mais de acordo.

Somos nós que nos limitamos e se não existir ninguém à nossa volta para nos encorajar a ser corajosos, a descobrir as nossas capacidades e potencialidades então vamos a caminho do desastre. Um desastre que até pode ter uma aparência de êxito, de poder, de conquista, mas que no fundo é um desastre porque não há nada pior que não ser autênticos e verdadeiros, e deste modo seguir um padrão que não é o nosso.

Claro que nem todos temos as ideias bem definidas em relação à nossa identidade, mas acredito que é preferível andar á procura, experimentar novos caminhos, que permanecer aferrados a uma qualquer máscara que se projecta para o exterior e esconde a confusão que muitas vezes se sente.

Felizmente conheço bons exemplos de quem anda à procura e outros tantos de quem se anda a desfazer de máscaras.

No entretanto vou aprendendo novas habilidades para adoçar as nossas trocas de impressões.

M.

01 junho, 2012

2.000 visitas!!!!

Parece impossível mas é mesmo verdade. Hoje reparei que este cantinho já tem mais de 2000 visualizações!!!!

Ora eu que pensava que ia escrever para os meus botões, tenho tido a enorme alegria de partilhar alguns dos meus pensamentos à deriva com meia dúzia de leitores que, de vez em quando, vêm até aqui espreitar o que ando escrever e a pensar.

Obrigada a todos.

E vamos lá a perder a vergonha e começar a comentar!!

E como estamos na primavera e gosto muito de flores, aqui fica uma imagem dedicada a quem vier espreitar o cantinho no dia de hoje.




M.

31 maio, 2012

Hapyyyyyyyyyy.

E por quê?

O calor chegou!!! Finalmente chegou!! 33º para ser mais específica e às 9 da noite, o que não está nada mal. Começa a temporada dos vestidos, das sandálias, dos tecidos leves e esvoaçantes.

Pessoalmente tenho a sensação de ter crescido uns centímetros e de andar a pairar por aí.

Talvez por ter nascido em pleno inverno, pode-se dizer que sou uma rapariga primavera-verão. O sol, a luz, o calorzinho tornam-me mais leve, mais alegre, mais descontraída.

Começa a época das esplanadas, dos passeios ao fim da tarde, dos gelados, das limonadas.

Gosto do calorzinho. É um facto.

M.


PS. A menina da foto não sou eu, mas bem podia ser...

27 maio, 2012

Balanço do fim de semana.

O fim de semana vai mais ou menos a meio mas está a ser bem apetecível:)

Dormir é sempre uma actividade muito apreciada cá por casa e o molengar que acompanha o pequeno almoço e a lenta activação cerebral matutina ainda mais.

Ontem, aproveitei para ir buscar uma saia que estava a arranjar, caí em tentação e comprei um vestido que tanto dá para ir trabalhar como para ir a algum dos bbc's de que vos falava no outro dia (as fotos ficam para mais tarde)

Depois das compras e da organização básica da despensa para a semana, fomos visitar as excavações paleontológicas de Atapuerca que estão a uma horita de caminho. Até parecia mentira que dada a minha (de)formação ainda não tivessemos ido ver os sítios das excavações. O dia estava esplêndido e depois de pisar no acelerador para chegar à hora da visita foi realmente surpreendente observar como, no meio do nada, nos deparamos com uma paisagem tão diferente e com assentamentos humanos com uma relevância científica brutal mesmo aqui ao lado.


De regresso a casa chegámos a tempo de ver como a crise grega é de tal ordem que a mocinha que foi ao festival da eurovisão não tinha dinheiro nem para tecido:)

Hoje, o plano era continuar a prospecção para as férias de verão enquanto o meu príncipe está no seu curso de fotografia, mas a única conclusão a que consegui chegar é de que me vou disfraçar de ovelhinha no verão...

Mudei de foco de pesquisa e estive a guardar modelos de bolachinhas para pôr em prática nestas próximas semanas. Já tenho o próximo projecto e cliente à espera: um pirata com o seu respectivo barco (e com um bocadinho de sorte pode ser que me leve até às caraíbas, lol).

E C, podes estar descansada que esta tua amiga já não quer ir a Punta Cana. Fiquei horrorizada com os comentários que encontrei sobre o sítio. Claro que dependendo das pessoas pode ser uma experiência horrível ou fantástica, mas há uma série pontos comuns que não me agradaram nada.

Mas o melhor mesmo é marcar a visita às grutas de Ortigosa desta tarde e deixar-me de tretas.




M.

Ainda às voltas com as férias.

É impressão minha ou o processo prévio ao ir e estar de férias é um bocadinho stressante??

Sou só eu ou os catálogos de viagens e apartamentos na costa são mesmo deprimentes??

De repente parece que fui teletransportada numa máquina do tempo para os sweet 80's com hotéis que destacam ter alcatifa no chão e espelho de aumentar na casa de banho (?!!). E parques aquáticos para as criancinhas. E cozinha em directo para os paizinhos. Argghhhh...

Parece que entre as viagens e alojamentos de qualidade a preços proibitivos e o pesadelo da massificação e do gentio há um vazio, um buraco negro, na oferta. Ou se tem um orçamento ilimitado ou estamos tramados. Essa é a conclusão a que chego depois de dois dias de análise dos ditos catálogos.

Já sei que isto é queixar-me de barriga cheia e que muita gente não se importaria nada de estar com estas minhas dúvidas, mas é inevitável. Não me apetece nada ser mais um borreguinho ao sol:)





Méééééééééééééé.

M.

24 maio, 2012

Sonhar, sonhar e sonhar...

O meu pc do cart´´orio enlouqueceu!! J´´a deu para perceber?

Acrescenta dois acentos e nao ha maneira de conseguir que me obedeça!! Hoje vamos ignorar a pontuaçao, ok?

Sim, porque os teclados espanhois tambem nao tem til, pelo que so consigo escrever em portugues quando escrevo no meu portatil velhinho:(

Mas este preambulo serve para introduzir o tema de hoje: FERIAS!!!!!!!!!!!!!!

Da para acordar ja na praia??? Com chinelo no dedo, pareo e calor, muito calor???



Comecei por procurar opçoes nas Canarias e acabei na Jamaica...

I shot the sheriff:)

M.

23 maio, 2012

Tenho algo que confessar...


Esta sou eu depois de todos vocês descobrirem a minha intenção de passar para o lado do "enemigo".

É oficial, vou tratar dos papéis para pedir a nacionalidade espanhola. Estou farta de complicações cada vez que tenho que tratar de algum assunto e diga-se de passagem que também estou um bocadinho cansada do rótulo de "estrangeira".

E não, não perco a portuguesa, fico com as duas:)

M.

PS. Oh Lord... Acabei de fazer aqui uma ligação mental assustadora. Será que o facto de gostar tanto de cor de laranja revela uma certa forma de aculturação ao meu novo país de acolhimento?? E se for assim, então, quer dizer que a seguir vem a base laranja e os brincos de plástico?????



Alguém com experiência em voodoo???

Se alguém perceber do assunto e quiser oferecer aqui ao simpático casal um escudo protector agradecia-se...

Já chega!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!




M.

Le printemps.

Quando não está a granizar até se pode dizer que a primavera chegou:))

E com o calor a imensa vontade de trocar os casacos e as capas de inverno por modelitos bem mais apetecíveis.

E depois de organizar o armário e de realizar umas novas aquisições chego à seguinte conclusão:



Gosto mesmo de cor de laranja!!!!!

M.

19 maio, 2012

BBC's

Maio é o mês dos BBC's, iniciais pelas que são conhecidos eventos festivos muito especiais como "bodas", "bautizos" e "comuniones". É o mês que marca o inicio, mas a temporada dura até setembro.

Noutro post contei-vos que aqui as comunhões são como mini casamentos, com meninas que se vão pentear e maquilhar, que previamente protagonizaram reportagens fotográficas de estudio e exterior com os seus vestidos de princesa, e que culminam com um banquete onde os convidados vão vestidos como se fosse o casamento do século.

Hoje fui a uma:)

E foi bem divertido.

Tenho que confessar que os pais da menina e a própria são uma excepção neste universo de preparativos que começam com a escolha do restaurante com quase um ano de antecedência.

E quando prima a boa companhia e a conversa fácil e ágil, quando pessoas são "gente boa" o tempo passa a voar e deixa um bom sabor de boca e uma doce recordação.

Foi também a ocasião perfeita para elaborar as minhas primeiras cookies. E pela velocidade com que desapareceram das mãos das crianças, acho que não sairam nada mal.


Aqui fica uma fotografía do modelito recuperado do armário dos BBC's e que é um dos favoritos.


M.


13 maio, 2012

Doce tentação.

Nunca é tarde para aprender. Não há nada como diversificar interesses. As oportunidades surgem quando menos se espera.

Qualquer uma destas frases poderia descrever esta minha nova aventura, que acaba de começar mas que ninguém sabe onde me irá levar.

Por enquanto leva-me a Vitoria, no País Basco, aqui pertinho de Logroño. Ontem fui à primeira formação e a excitação era de tal ordem que uma hora antes de tocar o despertador já eu estava na cozinha a tomar o pequeno almoço e a preparar-me para me por em marcha.

Ainda bem que assim foi porque embriagada por este espírito aventureiro decidi ir pela estrada nacional em vez de pela auto-estrada. Sem GPS. Com nevoeiro. Muito nevoeiro. E a estrada nacional atravessa dois portos de montanha. Não um, mais dois. Já vos disse que havia imenso nevoeiro, daquele mesmo muito cerrado?!! Fui a 30km/h pegada ao para-brisas, com o coração aos pulos e a pensar na ironia que seria cair por um precipício quando ia a caminho do curso de decoração de cookies.

Demorei o dobro do previsto e uma vez chegada à cidade estacionei no primeiro lugar disponível e pus-me a caminho, a pé, que domino melhor que a condução. Atravessei a cidade a correr e cheguei, puntualíssima para começar o curso às 10h.

O sítio era do mais acolhedor, a formadora e a ajudante umas queridas. As colegas muito bem dispostas. Um almocinho saudável (quiche com salada) e uma tarde dedicada ao royal icing, às mangas de pasteleiro, às boquilhas, corantes e papéis comestíveis.

Uma experiência a repetir.


M.

09 maio, 2012

Arnedo's Style.

Paços de Ferreira é a capital do móvel.

E Arnedo é a cidade do calçado. É também a cidade onde trabalhamos, ou pelo menos tentamos trabalhar, mas isso é outra história.

Imaginem metros e metros cuadrados de armazéns, outlets e quantidades inimagináveis de sapatos, sandálias, botins e botas.

Não são propiamente uns Louboutin, mas eu também não sou a Victoria Beckham.

Sendo a miss "botas rasas e sabrinas", podia dizer que é um grande passo, mas tendo em consideração a altura do salto e o pé que vai estar lá dentro, vão ser mais uns small, tiny steps...

M.



05 maio, 2012

Reencontros.

Esta semana retomei o contacto com uma pessoa que, durante alguns anos, fez parte da minha outra vida. E soube bem, muito bem.

Com a distância que só o tempo, as experiências da vida e a maturidade oferecem, percebo que não fui justa no passado. De tanto olhar para o meu própio umbigo e de me centrar em pseudo-responsabilidades profissionais que marcavam o ritmo da minha vida passada, era incapaz de ver o que estava à minha volta e, neste caso, de apreciar tudo quanto esta pessoa me podia oferecer e vice-versa. Se em vez de olhar para as diferenças e de me preocupar com as "obrigaçoes" me tivesse centrado no que tínhamos/temos em comúm, certamente teria sido uma relação bem mais enriquecedora.

Mas a boa notícia é que pelos vistos ambas nos guardamos na memória com carinho. Foi muito bom ter tido notícias da C.B. Outra mulher de coragem. E saber que ela também ficou feliz por ter tido notícias minhas, nesta minha nova vida.

Um beijinho para a C.B.




M.

02 maio, 2012

Guia gastronomica.

Acabei agora mesmo de preparar uma guia para uns amigos que, em agosto, se vao por a caminho da zona de Sintra para um descanso de duas semanas.

Depois de umas breves linhas dedicadas aos "musts" incontornáveis de Lisboa e arredores, reparei que a lista de sitios a visitar girava em torno aos lugares onde podem comer travesseiros e queijadas, joaquinzinhos com arroz de tomate, arroz de marisco, pataniscas de bacalhau com arroz de grelos, pastéis de belém, rissóis de camarao, bife com mostarda, prego no pao...

Acho que minha recente decisao de voltar à macrobiótica está a ter um efeito inesperado: alucinaçoes culinárias que incluem propostas que, em estados de sobriedade alimentar, nao me passariam pela cabeça. Nem pelo paladar.

Vou ali à cozinha fazer uma sopinha de miso para ver se me passa.





M.

PS. Se algum dia alguém me encontrar por aqui a escrever a palavra "iscas" mandem-me internar s.f.f.



Dónde está mi tarta?!!!

O título do post de hoje tem que ser em espanhol porque isto traduzido para português não tem a mesma sonoridade.

Esta tarde deram-me um conselho. Acho que bom. E era mais ou menos assim: "Marta, lo que tú necesitas es buscar tu tarta. La tuya. La que es sólo tuya, de nadie más".

Bem, o que eu me ri. Claro que a metáfora vinha na sequência de um longo e complicado processo de escolha do bolo para a comunião da filha e vai daí extrapolamos o assunto para outra dimensão.

Perante tal sugestão, e depois do levantar de sobrancelha que me caracteriza quando não estou a perceber patavina do que me estão a dizer e do ataque de riso que se seguiu, fez-se luz e lá lhe contei que, assim por acaso, até sabia mais ou menos qual era a minha "tarta", mas que ainda há alguns pequenos pormenores que preciso esclarecer antes de me lançar a devorar o pitéu:

a) onde é que se pode fazer/comprar
b) vai ser simples ou vai ter vários pisos? Um sabor ou vários?
c) quanto é que me vai custar?
d) vou ter $$$ suficiente para a fazer/comprar?

E mais não digo...


M.

01 maio, 2012

O fim de um ciclo.

Esta semana recebi um e-mail de uma revista que se vai lançar em Portugal na área da museologia a convidar-me para formar parte da Comissão Científica.

O Ego não perdoa e a primeira reacção foi "é pá, que fixe que há quem dê valor ao meu trabalho e considere relevante o investimento académico que fiz na área, yeaiiiiii".

Felizmente não demorei nem dez segundos a ter uma segunda reacção que foi mais ou menos assim: "é pá, mas é que esta já não sou eu. E agora? Como é que me livro desta situação?!!".

Na minha outra vida estaria aos pulos de contente. Mais uma linha para o C.V. Mais trabalho e responsabilidade. O meu nome noutro projecto.

Agora que a minha conjuntura pessoal e profissional é outra, nada disto tem sentido para mim.

Escrevi uma tese de doutoramento sobre museus, publiquei artigos, editei livros, blá, blá, blá. Mas o único que se me ocorre dizer neste momento é, "so what?". Isso já foi, faz parte do passado. Nem sequer me parece sério aceitar essa responsabilidade dado que há anos que fechei essa porta. E felizmente que o conhecimento evolui e se transforma.

Mas como dizem os ingleses "old habits die hard", pelo que a minha resposta inicial foi um sim, a meias...

Portanto, assim que acabar de escrever este post vou fazer o que devia ter feito logo de inicio.

Fechar um ciclo.

Sem medo. Com confiança.

M.


O aqui e o agora.

Estou de volta à blogosfera depois de uns dias em que não me tem apetecido muito nem partilhar, nem receber.

Acho que todos temos momentos em que nos apetece fechar para balanço, carregar no botão do stand by, ou entrar numa espécie de hibernação em que não seja preciso pensar, agir ou falar.

E depois dessa pausa, voltamos a ser nós outra vez. Quando as nossas emoções andam agitadas a probabilidade de passar por estes momentos é maior porque se trata de uma espécie de mecanismo de defesa que nos dá margem para assimilar algumas coisas ao mesmo tempo que nos diz "mas onde é que tu julgas que vais com essa espiral de pensamentos, de sentimentos. Vamos lá parar um bocadinho, respirar, contar até 10 e deixar-nos de parvoices". E depois de ler um dos posts da minha amiga M.M. no Dolce far Niente (não consigo introduzir o link...) decidi mesmo deixar-me de parvoices.

Porque a vida se vai num suspiro, é melhor não perder o tempo que temos a suspirar pelo que ainda não conseguimos alcançar e centrar-nos em aproveitar o presente que é a única certeza que podemos ter.

O aqui e o agora.

M.

24 abril, 2012

Espíritos inquietos.

Esta semana estou a atravessar um período de abstinência. A minha amiga C. foi para a India e, ao que parece, os smartphones e as blackberries não têm a cobertura desejável.

Mas enquanto deambula por paragens orientais à procura do ashram do "guru" que vai visitar, lá me chegou uma mensagem que de tão curta só conseguiu aumentar ainda mais a minha ressaca: "não estás bem a ver o que isto é".

Socorro, preciso de mais informação!!!!

Mas o que eu queria destacar é que esta minha amiga é um espírito inquieto e que é um privilégio ter amigas assim. Que não se cansam de procurar, de aprender, de conhecer. Que não esgotam a sua identidade no papel de mães ou no exercicio da sua profissão. Mulheres que são isso mesmo, mulheres. E, felizmente, há muitas assim. Com que posso aprender todos os dias qualquer coisa. Espíritos inquietos e aventureiros. Para todos eles aqui fica a imagem do momento.
PS- Dado que a minha apetência a visitar a India é de -10, vou ali repetir uns mantras e volto já. M.

23 abril, 2012

Espanha e as verduras.

Por estranho que possa parecer - e digo estranho porque no mundo globalizado em que vivemos podíamos pensar que as práticas vegetarianas, macrobióticas ou vegan, nas suas infinitas variantes fossem uma realidade conhecida e uma prática extendida por todo o lado - o conceito espanhol de verduras e de vegetal é um bocadinho sui generis.

Quando vivia nas montanhas,nos Picos de Europa, onde o verde domina a paisagem, na verdade quem dominava eram as vaquinhas, os bezerrinhos e os bacorinhos. Sim, as montanhas são terras de ganadeiros e de pastores e esse é um facto incontornável à mesa. Em Potes havia 3 ou 4 talhos. E peixarias???? Zero. E digamos que a verduras não tinham muito êxito na região. Uma noite decidi pedir um sandwich vegetal e quando me trouxeram uma sande com fiambre bem grossinho para ser ver bem, bacon, ovo estrelado, maionese e alface pensei "olha, enganaram-se". Eu é que me tinha enganado, porque quando sugeri que talvez tivesse havido um engano, olharam para mim como se estivesse a falar chinês e responderam que era óbvio que era vegetal, levava alface. Pois claro, óbvio...

Agora que vivemos na cidade, na comunidade de La Rioja que todos conhecem pelo vinho, já temos peixarias com fartura e verduras e hortaliças para todos os gostos. Mas de vez em quando as diferentes interpretações do conceito "vegetal" aparecem de forma inesperada. Esta semana celebram-se as Jornadas da Verdura em Calahorra, uma cidade aqui perto, e uns amigos levaram-nos a almoçar a um dos melhores restaurantes do lugar, para provar o menú de degustação de verduras.

Aqui esta vossa amiga lá foi toda contente até ter percebido que o menú estava composto de cinco pratos de "verduras", que incluíam ingredientes como gambas, ovos estrelados, boquerones (peixe), bacalhau e, pasme-se, com queixadas, arghhhhhhh. Socorro!!!!

Estranho conceito de verduras têm estes espanhóis... Olé!!

M.

22 abril, 2012

Religião Q.B.

Aproxima-se o mês de Maio que em Espanha é sinónimo de um acontecimento festivo-familiar de proporcções épicas: as primeiras comunhões. A expressão "noivas de maio" ganha aqui novos contornos, e implica algumas práticas que um bocadinho incoerentes com o estado da nação, quer a nível económico, quer a nível cultural, ideológico e religioso.

As meninas vestem-se de princesas e os meninos de marinheiros (vá se lá saber por quê?!!), têm os seus banquetes, reportagens fotográficas de interior/exterior prévias ao acontecimento que fariam corar muitas noivas. As meninas e os meninos anseiam pelos presentes que vão receber, pela roupa que vão estrear, pela festa que vão protagonizar, mas ainda estou à espera de ouvir algum comentário sobre o sentido religioso do acto em si. E assim, as familias gastam autênticas fortunas para que os seus petizes não se sintam envergonhados perante os colegas quando chega a hora de contar como tudo aconteceu.

Diz um amigo que é "culturalmente católico e dogmáticamente ateu", para explicar a razão pela qual não sendo crente, se casou pela Igreja e baptizou os filhos. Seja por convenção social, pressão familiar, ou pura superstição, raros são os casos de amigos e conhecidos que protagonizam estes ritos por uma verdadeira fé e crença religiosa.

São raros mas existem, e de ambos lados da fronteira.  E quando vejo o sacrificio e a dedicação destas pessoas penso que são realidades e conceitos opostos. Escrevo sobre pessoas que, para além das suas responsabilidades profissionais e familiares tão stressantes e exigentes como as de qualquer outra pessoa, arranjarm maneira de desempenhar um papel activo nas suas paróquias, de se reunir aos fins de semana e em períodos de férias com outros companheiros que, como eles, dedicam uma grande parte das suas vidas a servir a comunidade a que pertencem, de acordo com os princípios religiosos em que acreditam e que praticam.

Por isso quando aqueles que até ontem tinham um discurso abertamente anti-clerical, hipercrítico da Igreja católica, que se diziam ateus, de repente se casam pela igreja, baptizam os filhos e os matriculam nos sagrados corações e derivados, sinto que há qualquer coisa que me escapa. Então mas a religião não é uma questão de fé, de crença e vivência de uma série de principios e valores? Ou é um ingrediente como o sal e a pimenta que usamos q.b.? Já sei que não devemos dizer "desta água não beberei" e que todos nós temos as nossas ambivalêcias, mas há certas incoerências que são mais incoerentes que outras. Faz-me confusão, é só isso.
M.

18 abril, 2012

Reconversão Profissional ou Novas Oportunidades??

Há quem tenha nascido já a saber o que queria ser quando fosse grande. Bombeiros, bailarinas, médicos, cientistas, jogadores da bola, jornalistas e já agora poderiamos acrescentar para as novas gerações, actores, modelos e reality showmen/women.

Há quem nunca tenha pensado muito seriamente no assunto e por exclusão de áreas impraticáveis e preferências académicas (quem tem problemas com os números como eu sabe do que estou a falar) tenha acabado a exercer uma profissão que nunca tinha contemplado até se ter tornado no protagonista da mesma.

Lembro-me que de pequena queria ser cabeleireira, advogada, professora de ginástica, tradutora e possivelmente mais alguma profissão glamourosa que me estou a esquecer de mencionar. Depois houve um dia que fiz uns psicotécnicos de orientação profissional - com um resultado espantoso- mas que decidi seguir sem saber muito bem por quê. E foi já na faculdade, no 1º ano de política social que percebi que nunca, jamais, never iria conseguir trabalhar na área. Posso não saber exactamente o que quero, mas nunca tive problemas em perceber o que não encaixa comigo. Tinha portanto um problema. Tinha que mudar de curso e a questão que se colocava, dado o fracasso estrepitoso da minha suposta vocação, era saber para quê, para onde?

Depois de muitas dúvidas e hesitações a escolha recaiu na antropologia. Essa coisa que ninguém parecia/parece saber muito bem para que servia. Gostava das matérias, parecia suficientemente abrangente para poder trabalhar em diferentes ámbitos e, uma vez mais, sem pensar muito bem no assunto, teve inicio um percurso de muito estudo, de muito esforço, supostamente recompensado com um bom trabalho, com os accomplishments correspondentes de publicações, conferências, bolsas, e um peso, um peso brutal que tornava impossível desfrutar fosse do que fosse. Tive uma companhia durante essa outra vida muito importante e especial, com a qual trabalhei como se não houvesse amanhã, com quem partilhei o lado professional e o pessoal durante anos, com quem ri muito e chorei ainda mais. Se não fosse por ela, pela E.,  também não seria quem sou. Ajudou-me tantas e tantas vezes, e por isso vou estar para sempre agradecida. Foi uma das primeiras pessoas que percebeu que deixar a vida académica não ia ser nenhum drama, pelo contário. Seria uma espécie de liberação.

Mas como o "programa mental" que construimos com base em ideializações nossas e projecções dos outros é mesmo muito forte e dominante, tentei reproduzir o modelo deste lado da fronteira. Correu bem, fiz amigos. Conheci pessoas interessantes. Boas pessoas. Mas o peso regressou. A falta de ar. A angústia de pensar "se me preparei para isto toda a vida, porque raios não estou contente?" ou "Como é que é possível que quando penso em deixar a universidade sinto um enorme alivio?" A resposta agora parece-me óbvia: não era o meu sitio, o meu caminho. Já percebi e aceitei.

A carreira docente tem que ser uma carreira vocacional, não se pode estar por estar. Porque fica bem no curriculum ou nos cartões de visita. Continuo a admirar todos (ok, quase todos) os colegas com quem me cruzei mas, defintivamente, não estava no meu meio.

Se bem que à minha volta há quem não perceba e insista em perguntar como é possível deixar passar essa oportunidade, como é possível deixar para trás o trabalho de anos e anos, como é possível viver com o consequente desprestigio profissional, social. Lamento, mas as minhas necessidades pessoais não passam por ver a lista de entradas que aparecem com o meu nome no google. Depois de tanta teoria e tanto estudo sabe bem descer à realidade das actividades quotidianas, das profissões que se traduzem em resultados mais ou menos imediatos, em que se observa de perto a utilidade do que se faz.

E como tudo acontece por uma razão, a reconversão profissional tem vindo a processar-se ao longo desta minha nova vida, com a ajuda e o apoio do meu mais-que-tudo que agora é também o meu chefe. O admirável mundo novo dos cartórios, das escrituras, dos impostos é um mundo de todas as cores. Se há dias em que parece que vou estoirar de tanta informação, em que me apetece matar porque me engano, há outros em que tudo vale a pena, com o obrigado sentido de um cliente, com a certeza de ter trabalhado bem, com a inédita e plácida sensação de "é sexta-feira, posso apagar o computador, fechar a secretária só voltar a pensar em trabalho na segunda".

Foi uma escolha do coração ter trocado Lisboa por um qualquer sitio em Espanha com o meu amor (para quem não sabes somos praticamente semi-nómadas ). Mas a mudança de profissão, essa foi uma escolha da razão.

Por isso quando me perguntam "não tens pena de ter deixado a universidade?" a resposta é "não". E quando dizem "então e o esforço todo que fizeste, não serve para nada?" respondo, "serve sim, serve para saber que posso fazer o que quiser, que posso agarrar todas as novas oportunidades que se colocarem, em cada momento". Niguém sabe as voltas que a vida da, mas como bem dizia Cícero "Não há nada que não se consiga com força de vontade, com bondade e, sobretudo, com amor".

E posso sempre enveredar por um caminho alternativo dada a minha experiência recente. Ora vejam lá.



M.